ISSO
NUNCA FOI AMOR...
"O perfeito amor lança fora o medo"
(1Jo 4.18)
Pr.
Walter Santos Baptista
A
cultura helênica expressou com uma variedade de
palavras o que é traduzido em nossa língua como
Amor. Os expressivos vocábulos Philia, Storge,
Eros e Agape conceituam aspectos diferentes e
profundos desse sentimento por vezes perturbador,
por vezes perturbado.
A leveza da palavra Philia fala do amor de amigo,
do amor social, do amor cívico, ou do amor de
afinidade. É a palavra que descreve o companheirismo,
o amor pelo clube esportivo, ou pelos símbolos
nacionais; é o amor que expressa a necessidade
de compartilhar algo com alguém: é a Amizade.
Storge, o amor familiar, faz referência ao amor
natural dos pais para os filhos, do tio para o
sobrinho, e vice-versa, e envolve reciprocidade,
homogeneidade e uma aliança de sangue e de corações.
Eros é o amor biológico, hormonal, visceral, sensorial,
aquele atraído pela beleza, elegância, graça,
pelas formas. É palavra de boa procedência, definindo
o aspecto das diferenças sexuais. O Eros atrai
o homem para a mulher e a mulher para o homem.
Fora disso é perversão, pois nunca foi o amor
planejado pelo Criador o de homem por outro homem,
de uma mulher por outra mulher, de um adulto cobiçando
sexualmente uma criança, ou de um ser humano tendo
como objeto sexual um animal irracional. Todas
essas perversões encontram reprovação na Escritura
Sagrada: Levítico 18.22,23; 20.13,15,16. Eros
é o instinto sexual. Paulo apresenta os reclamos
do Eros em 1Coríntios 7.2-5 e 1Tessalonicenses
4.3-8.
Agape é o amor que pode salvar o Eros da perversão
porque o transforma e dá ao amor humano e biológico
sua verdadeira dimensão que é a sagrada. É o amor-que-se-doa,
o amor-sacrifício, o amor eterno, imutável e perfeito.
Está nos lábios de Jesus em João 3.16; Paulo o
cita em Romanos 5.5; 1 Coríntios 13; e João, o
Evangelista, o menciona em 1João 4.16,18. Jesus
Cristo é o supremo exemplo de Agape, entrega total
para a salvação da esposa que é a Sua Igreja (cf.
Ef 5.25-33).
No entanto, como qualquer outro sentimento, o
amor pode ficar enfermo ou perverso. Em Psicanálise,
isso tem nome: Parafilia, caracterizada por anseios,
fantasias ou comportamentos sexuais intensos envolvendo
objetos, atividades ou situações inusitadas causadoras
de sofrimento. Apresenta, outrossim, um significado
clínico com prejuízo para as boas relações sociais,
bem como em outras áreas relevantes da vida. Parafilias
envolvem geralmente objetos não-humanos, sofrimento
ou humilhação, próprios ou do parceiro, ou crianças
ou outras pessoas sem o seu consentimento.
Estão nas manchetes dos jornais inúmeros e chocantes
casos de perversão envolvendo figuras de autoridade
como médicos, professores e religiosos, entre
outros, vitimando inocentes e iludidas crianças
e adolescentes. São casos de Pedofilia, Pederastia
e Prostituição Infantil.
PEDOFILIA
Assim se chama o distúrbio de conduta sexual,
no qual o indivíduo adulto sente desejo compulsivo
por crianças e adolescentes. Tem caráter homossexual
(quando envolve meninos) ou heterossexual (quando
envolve meninas), por crianças ou pré-adolescentes.
Tal perversão ocorre na maioria dos casos em homens
de personalidade tímida, que se sentem impotentes
e incapazes de obter satisfação sexual com mulheres
adultas. No entanto, isso não pode ser chamado
de amor...
Indivíduos portadores de Pedofilia podem limitar
sua atividade a despir e observar a criança, exibir-se,
ou tocá-la e afagá-la. Essas e outras atividades
aberrantes são geralmente explicadas com desculpas
ou racionalizações de que possuem "valor
educativo" para a criança, de que esta obtém
"prazer sexual" com os atos praticados,
ou de que a criança foi "sexualmente provocante".
Alguns pedófilos ameaçam sua pequena vítima no
sentido de evitar que suas ações sejam reveladas.
Outros desenvolvem técnicas para obterem acesso
aos menores, que podem incluir o ganho da confiança
da mãe, e, até, se casam com uma mulher que tenha
uma criança atraente.
Na imensa maioria dos casos, os pedófilos são
homens, muitos dos quais são dados ao alcoolismo
ou são portadores de alguma forma de psicose.
A idade se situa entre os 30 e 40 anos. Geralmente,
têm forte convicção religiosa, apresentando ainda
a característica de imaturidade e solidão. Isso
explica, possivelmente, a onda de escândalos envolvendo
tantos religiosos, como temos visto ultimamente,
mas nunca foi amor!
Há pedófilos em todas as classes sociais. Os mais
perigosos são, com certeza, aqueles em quem a
criança confia, como um amigo da família, um dos
empregados da casa, ou aqueles que a criança idealiza
por suas funções: um ministro religioso, um capelão,
um professor, um técnico de esportes ou outra
pessoa que tenha, como já observado, função de
autoridade. O ato perverso destas pessoas acima
de qualquer suspeita deixa profundas cicatrizes
na alma da criança sob a forma de culpa e de angústia.
O Pe. John McCloskey (www.catholicity.com/mccloskey),
diretor do Catholic Information Center de Washington,
tem buscado lidar com a crise que se instalou
na Igreja Romana dos Estados Unidos, e, apesar
dos inúmeros casos (que têm custado milhões de
dólares em indenizações) terem ocorrido há muitos
anos, tem afetado uma parte do clero, e causado
danos à credibilidade daquela organização e ao
prestígio do seu sacerdócio. Causou espécie, igualmente,
verificar-se que a atitude dos bispos foi simplesmente
realizar uma mudança de campo de ministério, mas
não dar tratamento à parafilia. O resultado é
que setores dissidentes do catolicismo norte-americano
têm pedido a abolição do celibato sacerdotal,
sobre o qual se tem lançado a culpa dos problemas.
Pe. McCloskey não esconde os fatos, afirma,porém,
que não existe uma "epidemia" de casos
na Igreja Romana dos Estados Unidos, mas que esses
eventos (que remontam aos anos 70, na maioria),
foram cerca de vinte por ano, vieram à luz todos
ao mesmo tempo, parecendo ser uma avalanche e
uma tendência. Afirma ainda, que casos de homossexualismo
têm recebido atenção dos superiores que mudam
os sacerdotes de paróquias, submetem-nos a tratamento,
suspendem-nos das funções e, em sendo ocaso, expulsam-nos
definitivamente do sacerdócio. Geralmente, para
evitar um processo civil um acordo econômico é
feito.
HOMOSSEXUALISMO
É outro freqüente caso de Parafilia; perversão
segundo a Escritura Sagrada e a Psicanálise (cf.
Lv 18.22; 20.13; Mt 19.4; Rm 1.27-32; 1Co 6.9-11,
18).
Tem-se utilizado a expressão Inversão Sexual para
retratar o fato de pessoas que buscam como objeto
sexual um parceiro do mesmo sexo. Por definição,
no entanto, isso nunca foi amor...
O Dr. Gastão Pereira da SILVA, um dos introdutores
da Psicanálise no Brasil, diz em Vícios da Imaginação
que "os indivíduos que renunciam a toda atividade
sexual procriadora tomam o nome de homossexuais
ou invertidos". A Grécia do V século a. C.
o aceitava, e é normal no Xamanismo e nas rodas
de Candomblé. É, no entanto, uma afirmação ampla
que coloca dentro deste conceito aqueles que fizeram
os votos de castidade no sacerdócio das Igrejas
Católica Romana e Ortodoxa, bem como os que optaram
pela chamada "vida consagrada" nos conventos,
mosteiros das diversas Ordens religiosas. Por
ser ampla, não prestigia o dom espiritual do celibato
segundo os padrões do Novo Testamento (Mt 19.12;
1Co 7.1,8,17). Dá para entender, então, o tremendo
conflito deste desvio com o interesse social e
político das diversas nações aliado à pregação
moral e espiritual dos segmentos religiosos.
Em Doentes Célebres, Gastão, bem como Norman WINSKI
em A Revolta dos Homossexuais, registram alguns
famosos invertidos sexuais: Júlio César, Sócrates,
Platão, Cellini, Shakespeare, Leonardo da Vinci,
Miguel Ângelo, Verlaine, Nijinski, Proust, Gide,
Andersen, Whitman, Byron. Também o afirma D. J.
WEST acrescentando o nome de Tchaikovsky.
A PROSTITUIÇÃO INFANTIL
Não é uma Parafilia, mas, sim, uma monstruosidade.
A prostituição é vista na Bíblia como uma abominação
(cf. Dt 23.18; Mc 7.21; Gl 5.19). Sendo de menores,
é execrável, não havendo palavras para descrever
esse odioso, porém real fato em nosso país.
Ela se inicia com muita carência afetiva e dor.
Há muito de infantil naquelas meninas que perderam
a infância e a inocência e já são mulheres. A
TV mostrou num documentário uma bonequinha em
cima da cama de uma menina prostituída, estando,
ela mesma, agarrada a um ursinho. São meninas
mal-amadas na própria casa paterna, e nas casas
onde "trabalham". São extremamente mal-amadas,
razão porque andam à busca de mais afetividade,
nunca encontrando essa afeição.
Consciência da realidade elas têm, sabem onde
estão, e o que fazem, mas não conseguem se libertar.
O cafetão representa, em muitos casos, a figura
do pai, com a ênfase no homem poderoso que a protege.
O pai que dá o alimento, o amparo da noite ou
do dia, é o homem forte que explora e lucra. Por
outro lado, os homens que se aproveitam sexualmente
dessas menores são pervertidos, enfermos que se
aproveitam da debilidade física e emocional dessas
garotas, mas nunca foi amor...
A Escritura Sagrada apresenta passagens que falam
periférica mas implicitamente de prostituição
de menores:
"Deixai vir a mim as criancinhas, e não as
impeçais porque das tais é o reino dos céus"
(Marcos 10.14)
"Aquele que escandalizar um destes pequeninos...,
melhor seria que pendurasse ao pescoço uma grande
pedra de moinho, e se precipitasse na profundeza
do mar" (Mateus 18.6);
Os evangélicos buscamos repassar os valores cristãos.
São valores de qualidade, de vida moral equilibrada.
De modo geral, a nossa juventude não faz parte
desse grupo de comportamento de risco que anda
se prostituindo porque são rapazes e moças guiados
por valores. Ninguém foi criado para ser prostituído,
mas para honrar a Deus.
Se isso nunca foi amor, que caracteriza o amor
pleno, ungido, abençoador? Definições, existem-nas
aos milhares. Luís de Camões num inspirado soneto
explica que "Amor é um fogo que arde sem
se ver, É ferida que dói, e não se sente; É um
contentamento descontente, É dor que desatina
sem doer". E em todo o restante do soneto,
tentando conceituar o que é o amor diz que é amor
e sofrimento, desprendimento, doação e um paradoxo.
A Palavra Santa, porém, é sempre esclarecedora
e ensina que "o perfeito amor lança fora
o medo" (1Jo 4.18), e Paulo, apóstolo, cantando
as virtudes do Amor (Agape em 1Coríntios 13) explica
pela intervenção do Espírito Santo que tem as
qualidades da paciência e da benignidade, da ausência
do ciúme (que é medo de perder), administra perfeitamente
o orgulho e a soberba, guarda a conveniência em
tudo, é respeitador, portanto, é altruísta, ama
a verdade e a pureza de intenções.
Isso é amor, e se não permear as intenções, pensamentos,
palavras e ações é só barulho, trovão, ruído sem
sentido. Basta comparar essas ungidas qualidades
com as Parafilias, e estas serão vistas como as
aberrações descritas pela Psicanálise freudiana,
e, mais importante ainda, segundo o coração de
Deus, que nos concede Seu Shalom como inteireza,
justeza, plenitude, saúde e paz de mente, de corpo,
de espírito, paz total e integral.
INDICAÇÃO DE LEITURAS
BAPTISTA,
Walter Santos. Fora de Padrão. Salvador, Monografia
não publicada, 1999.
CHEMANA, Roland (Org.) Dicionário de Psicanálise
Larousse-Artes Médicas. Porto Alegre, Artes Médicas
Sul, 1995. Trad. F. F. Settineri.
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Trad. D. Costa.
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Em:
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http://www.servicato.com/varios/mayo2002/pederastia_un_problema_espiritua.htm
"Pedofilia No". Em:
http://www.pedofilia-no.org/
PEREIRA, Aldo. Dicionário da Vida Sexual, 2 vols.
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PEREIRA, Paulo Cunha. Sexologia Aplicada à Psicanálise.
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QUINTELLA, Ary e DIETERICH, Di. Sexualidade. SP,
Saraiva, 1992.
SILVA, Gastão Pereira. Vícios da Imaginação. Belo
Horizonte, Itatiaia, 1968.
________. O Homem e o Sexo. BH-SP, Itatiaia, 1971.
VALENSIN, Georges. A Ciência do Amor. 3a ed. Rio,
Vecchi, 1947. Trad. G. de Queiroz.
WEST, D. J. Psicología y Psicoanálisis de la Homosexualidad.
Buenos Aires, Hormé, 1967. Trad. D. R. Wagner.
Walter Santos Baptista, Pastor da Igreja Batista
Sião em Salvador, BA
E-Mail:
wsbaptista@uol.com.br
fonte
do site : http://www.uol.com.br/bibliaworld/igreja/estudos/etica003.htm
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